Em 12/05/2015
 

Nações unidas pela dor

Texto de Karine Golçalves para o Psiquo desta semana!


Nações unidas pela dor

 

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Nesta última semana, pudemos acompanhar a notícia de uma tragédia muito grave e impactante: o terremoto que atingiu mais de 8 milhões de pessoas no Nepal. Esse desastre acarretou em mortes, pessoas soterradas nos escombros, perdas do patrimônio histórico e necessidade em fugir daquela realidade. Os noticiários mostraram as dificuldades enfrentadas pelos nativos e turistas que visitavam o local, como por exemplo, falta de água, comida, higiene e locais de abrigo.

 

As imagens transmitidas na internet e telejornais demonstraram uma pequena parte dos obstáculos que todos eles estão enfrentando nessa situação. As rachaduras no chão se confundem com as marcas de dor nos rostos desse povo. Histórias foram interrompidas e momentos de dificuldade foram colocados no lugar.

 

Atualmente, vivemos em meio a guerras causadas pela natureza humana e catástrofes naturais, podemos até pensar num momento de desesperança no mundo, arrisco em dizer, desespero por esperança...

 

Porém, diante disso, um fenômeno interessante começou a chamar a minha atenção: os governos dos demais países enviando ajuda financeira e apoio para a reconstrução das cidades, as campanhas nas redes sociais, manifestações de ajuda, doações de roupas, mantimentos, produtos de higiene e o mais importante, acolhimento e esperança. A esperança que tanto precisam para continuarem lutando nessa realidade.

 

A palavra “esperança” pode nos lembrar ao ato de esperar, ser passivo, aguardar o momento certo para fazer e acontecer. Porém, pensando por outro ponto de vista, esperança pode ser trilhar o próprio caminho, percorrer e vislumbrar novos horizontes e possibilidades. Não podemos apenas existir, temos que ser e estar como somos, únicos e singulares. Pois, a esperança se busca, se cria em cada um e não espera.

 

Pode ser contraditória a ideia de buscar esperança num mundo atualmente marcado pelo vazio, desamparo, narcisismo e depressão, porém, acredito que de certa forma, é isso que acaba unindo as nações, essa necessidade de ser e estar. Poderia se pensar em egoísmo coletivo que une as pessoas pela dor.

 

E porque não nos unirmos pelo amor ao invés da dor?

 

 

Karine Silva Gonçalves

Psicóloga CRP-19/2704 e

Postulante à Formação Psicanalítica

karine.silvag@hotmail.com

data de publicação: 12/05/2015

 

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